quinta-feira, 17 de maio de 2018

Discípulo de Jesus ou de Líder Religioso?



Ao invés de olhar para outros e criticar, vamos examinar as nossas próprias atitudes e ações para ver se nós realmente somos discípulos do nosso verdadeiro Salvador. 


Alguns dos relatos do evangelho incluem as palavras desafiadoras do Messias: 

"Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me". 

Encontramos aqui três elementos essenciais do verdadeiro discipulado, que apresentam desafios enormes: 

NEGAR A SI MESMO. 

Enquanto o mundo e muitas religiões começam com o egoísmo do homem, o Salvador exige a autonegação. As “igrejas” dos homens convidam as pessoas a realizar seus sonhos de riqueza, felicidade sentimental e posições de honra, mas a mensagem do Eterno é outra. Ele pede que a pessoa negue os seus próprios desejos para fazer a vontade dele. 

TOMAR A SUA PRÓPRIA CRUZ. 

O nosso Salvador veio para oferecer a vida, mas o caminho para a vida passa pelo vale da morte. Não somente a morte do Messias, mas a nossa também. Paulo disse: 

"Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim". 

SEGUIR O SALVADOR. 

Várias religiões e filosofias exigem sacrifício e autonegação. Algumas ensinam "preceitos e doutrinas dos homens" e "rigor ascético" que proíbem coisas que o nosso Salvador não proíbe. O benefício não vem de auto negação em si, ou simplesmente de tomar qualquer cruz. O Messias é o único caminho que leva à vida eterna. 

A relação de discípulo e mestre tem sido explorada por homens em muitos movimentos religiosos. O raciocínio é relativamente simples. Tirando alguns versículos do contexto e torcendo o sentido de outros, é fácil ensinar aos adeptos a necessidade de submissão quase absoluta aos homens. 

Considere esta abordagem: 

"Nenhum aluno é mais importante do que o seu professor, e nenhum empregado é mais importante do que o seu patrão. Portanto, o aluno deve ficar satisfeito em ser como o seu professor, e o empregado, em ser como o seu patrão. Se o chefe da família é chamado de Belzebu, então as pessoas dessa família serão xingadas de nomes piores ainda." 

Alguns homens são chamados "mestres". João teve discípulos. Devemos obedecer aos nossos guias (ou líderes) e ser submissos a eles. Utilizando tais versículos, torna-se fácil obrigar os mais novos na fé a seguir quase que cegamente a liderança de homens supostamente espirituais. Vários movimentos religiosos se baseiam em sistemas de discipulado nos quais cada "discípulo" é guiado por um "mestre" ou "discipulador", numa pirâmide ou hierarquia de autoridade humana. 

Há vários problemas com este tipo de discipulado: Investe autoridade excessiva em homens. A palavra traduzida "mestre" quer dizer, na maioria das vezes, "professor". A ênfase está no ensinamento da palavra, não na autoridade de uma pessoa sobre outras. Quando se trata de uma relação que envolve autoridade, as palavras do Messias são claras e estabelecem a regra que precisamos aplicar hoje: 

"Vós, porém, não sereis chamados mestres, porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos". 

Esquece as qualificações dadas pelo Criador para os líderes. Num sentido limitado, o Criador deu responsabilidade de liderança a alguns homens. 

No primeiro século, os apóstolos guiavam as comunidades por instrução inspirada e pelo exemplo de imitação do Messias. Eles iniciaram a prática de escolher pessoas mais velhas e com grande conhecimento da Palavra para anunciar as Boas Novas. Poucos homens demonstram as qualificações exigidas pelo Criador para exercer a função de “líder”. Estes homens têm a responsabilidade de cuidar e presidir ou liderar as pessoas. São os guias que velam pelas almas das ovelhas. Mesmo nas comunidades que têm anciões qualificados, estes são limitados na maneira de guiar ou liderar o seu povo. Não têm autoridade absoluta, arbitrária ou poder isolado. Eles não ditam regras; pelo contrário, mostram um exemplo de como seguir as regras do Supremo Pastor. Confunde o papel de evangelistas. Evangelistas são homens que anunciam a boa nova. A autoridade deles é limitada ao trabalho de ensinar, corrigir e exortar pela palavra. As cartas de Paulo aos evangelistas Timóteo e Tito apresentam um modelo de homens que vivem vidas exemplares e pregam fielmente a palavra pura do verdadeiro e único Mestre. Nada sugere uma posição de superioridade sobre os irmãos. 

Homens que querem "melhorar" o plano do Altíssimo e dominar sobre outros procurarão apoio nas Escrituras, pervertendo o sentido da palavra do Criador. 

Todos os servos do Messias devem lembrar que temos um só Mestre, e que todos nós somos irmãos. 

Ser discípulo do Messias exige um compromisso sério com ele. O Messias destaca aspectos deste compromisso: Batismo para entrar em comunhão com o Criador. Obediência absoluta aos ensinamentos do Messias. Muitas pessoas se dizem seguidores do Messias sem dar os primeiros passos de obediência à palavra dele. Para sermos discípulos verdadeiros, temos de apresentar os nossos corpos como sacrifícios a ele, sendo transformados e renovados pela palavra do Criador. 

Uma vez que reconhecemos o Messias como o nosso Mestre, devemos aprender das palavras e do exemplo dele. 

Um dos propósitos da vinda dele a terra está escrito assim: 

Mas, se vocês sofrem por terem feito o bem e suportam esse sofrimento com paciência, Deus os abençoará por causa disso, pois foi para isso que ele os chamou. 

O próprio Cristo sofreu por vocês e deixou o exemplo, para que sigam os seus passos. Ele não cometeu nenhum pecado, e nunca disse uma só mentira. Quando foi insultado, não respondeu com insultos. 

"...O Messias sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos, o qual não cometeu pecado...." 

Como discípulos do perfeito Mestre, devemos nos esforçar para desenvolver o caráter dele, tornando-nos "coparticipantes da natureza divina". Assim procuraremos pensar como o nosso Salvador pensa, e agir como ele agiria. 

O entendimento da relação do discípulo com o Mestre naturalmente criará em nós um respeito profundo pela vontade do Altíssimo. Enquanto outros defendem muitas práticas erradas, dizendo que o Criador não as proibiu, o discípulo fiel examina com mais cuidado e percebe que a Escritura não é um manuscrito de proibição e, sim, de permissão. Ao invés de tentar justificar a sua própria vontade, o seguidor do Messias se limita às coisas que o Criador permite, as coisas autorizadas nas Escrituras. Ele percebe, pelo estudo da palavra, que não devemos ultrapassar o que o Criador revelou, pois tal abordagem aumenta a arrogância ao invés de demonstrar a humildade de servos do Criador. Pessoas egoístas seguirão a sua própria sabedoria e dirão que têm liberdade para tratar a Escritura como uma mensagem "dinâmica" que se adapta à circunstância atual. Mas as pessoas espirituais mostrarão respeito maior para com o Altíssimo, sabendo que ele é perfeito e perfeitamente capaz de revelar sua vontade aos homens "uma vez para sempre" para os habilitar "para toda boa obra". O servo fiel entende que o Mestre recebeu autoridade para mudar a lei, fazendo o que não fora autorizado anteriormente. Mas o discípulo humilde jamais ousaria mudar a lei ou ultrapassar o ensinamento do nosso Salvador. 

O nosso Salvador quer a unidade dos seus discípulos. Esta cooperação não vem por estruturas e regras humanas, e sim por amor ao Pai. Homens podem forçar uma conformidade superficial por regras e sistemas de organização e controle. O Criador trabalha de outra forma. Ele confia na sua própria palavra para criar a unidade que ele quer. Se cada discípulo continua se aproximando do Criador, naturalmente estará se unindo cada vez mais aos outros discípulos verdadeiros. Os remidos se reunindo em congregações edificam e encorajam um ao outro. Divisão vem quando pessoas seguem diversas revelações, ou seguem líderes humanos e não o próprio Criador. O Messias morreu por nós. Somos batizados nele. Ele é o nosso Mestre e o foco das nossas vidas! 

O discípulo do Messias produz fruto. Pelo fato que aceita a palavra de bom e reto coração, e desenvolve a sua fé com perseverança, ele se torna frutífero. 

O discípulo produz fruto pelas boas obras que faz. Produzimos fruto quando obedecemos ao nosso Criador, progredindo com perseverança. 

Reconhecendo o amor do Messias para conosco, livremo-nos dos sistemas de domínio inventados por homens que querem liderar seus próprios discípulos. Porém, esta liberdade não nos deixa sem responsabilidade de servir. O verdadeiro discípulo do Messias fará sempre a vontade do Bom Mestre!

Leia as Escrituras.   http://crentebiblia.blogspot.com.br

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Dia das Mães


O Dia das Mães está às portas e você sabia que a data é, na verdade, uma iniciativa cristã? Foi por causa de uma mulher chamada Anna Reeves Jarvis que hoje as mães têm um dia no calendário mundial. Apesar de atualmente a data ser comemorada de forma comercial, anteriormente havia um sentido bastante político.

Além de evangélica, metodista, Anna também era ativista social. A história conta que o Dia das Mães foi na verdade uma iniciativa sobre a ação de mães cristãs em causas sociais. Anna morava em West Virginia (EUA) e tinha 12 filhos. Mesmo jovem ela já administrava eventos que reuniam mães para repensarem sobre questões sociais.

No ano de 1858 ela criou um clube chamado "Dias de Trabalho das Mães". O objetivo era trabalhar pela diminuição da mortalidade de crianças de famílias de trabalhadores. Com o passar dos anos, Anna organizou uma nova data, o “Dia da Amizade das Mães”. Dessa vez, sua intenção era reunir famílias e vizinhos separados pela Guerra Civil dos EUA, além de realizar ações solidárias com os feridos.

Em 1905 Anna faleceu, mas seu legado foi perpetuado por uma de suas filhas, que tinha o mesmo nome. Foi ela quem brigou por uma oficialização de um dia nacional das mães. A filha pretendia dar honra a sua mãe que tanto lutou. Sua intenção era realizar um ato pela paz e com isso prestar homenagem a todas as mães.

Foi iniciada então uma campanha pela oficialização do Dia das Mães e isso se deu pela realização de cultos. No início, as reuniões eram realizadas na Igreja Metodista. Depois outras igrejas foram aderindo a prática de realizar os cultos especiais sempre no segundo domingo de maio.

Os anos foram passando e a prática foi se alastrando por outras cidades. O Dia das Mães foi instituído por lei nos EUA em 1914 pelo fato de ter tido uma boa adesão no país. Hoje, a data tem um forte peso comercial, distorcendo o verdadeiro sentido, mas ainda é importante.

Contraponto

A agenda progressista no Brasil tem militado para abolir a comemoração do Dia das Mães e do Dia dos Pais nas escolas. Sabe-se que o objetido da ação é não “constranger” crianças adotadas por pais gays e que não têm um dos membros (seja pai ou mãe).

As escolas estão substituindo as datas pelo “Dia da Família”, por ser mais versátil.

O “Dia da Família” não deixa de ser uma tentativa da agenda progressista de diminuir os valores cristãos que também estão relacionados à estrutura familiar à luz da Bíblia. Uma vez que essa estrutura é desprezada, há impactos prejudiciais não só para as crianças, mas para a sociedade como um todo.

Tal estratégia também já havia sido sugerida por Karl Marx como "uma forma de combater a propriedade privada" e desestabilizar a sociedade, ferindo um de seus principais pilares, que é justamente a família.

Eliminando o Dia das Mães, grupos de esquerda, como o próprio feminismo, se contradizem e desprezam uma homenagem tão importante àquelas mulheres que tanto batalham e estão até mesmo dispostas a dar suas vidas pelos filhos. Afinal, a ideologia está se colocando cada vez mais acima dos ideais em tais movimentos.


FONTE: GUIA-ME, 

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Abuso Espiritual


Para alguns evangélicos, estar na igreja se transformou numa experiência dolorosa que os tem levado para cada vez mais longe da presença de Deus

Se o mundo jaz no maligno, a Igreja do Senhor Jesus na terra deveria ser uma porta de esperança para os aflitos. Um hospital para os doentes da alma. Uma fonte de amor para os rejeitados e sofridos. Deveria ser a expressão da vontade de Deus neste mundo. Deveria, mas nem sempre é.

Infelizmente, há casos – e não poucos – em que muitas congregações se perdem no propósito de servir a Deus. Carregadas por líderes tiranos, manipuladores e dominadores, elas se tornam terrenos férteis para todo tipo de abuso espiritual – um termo ainda pouco debatido na teologia, mas muito conhecido e doloroso para quem dele se torna vítima.

Especialistas definem o abuso espiritual como o uso da posição de liderança ou de poder para seduzir, influenciar e manipular as pessoas a fim de alcançar interesses próprios. Quem pratica é muito hábil para passar a impressão de que aquilo que querem é do interesse de Deus e de Sua obra, quando, na realidade, é para satisfazer o ego. Já quem é vítima desse sistema pode demorar anos para se libertar e carregar por um bom tempo as marcas de dor, tristeza e revolta por ter sido abusado. Há quem forme grupo de autoajuda na internet, outros procuram psicólogos, terapeutas e psicanalistas, há quem se afaste da igreja e de Deus, e há casos extremos em que muitos fiéis entram em depressão, desenvolvem doenças graves e chegam até a cometer suicídio.

As igrejas onde o estilo de liderança é hierarquizado, onde o líder tem que dar conta da vida dos liderados, onde existe o ensino de que ‘eu só posso viajar se meu líder deixar’, ‘só posso comprar se meu líder autorizar’, são ambientes mais vulneráveis à manipulação. Isso é perigoso. Quando o líder dita as regras, se torna um prato cheio para a manipulação. Além de gerar dependência emocional, imaturidade e problemas familiares, esse tipo de comportamento também pode se transformar numa revolta contra Deus.

Há casos, porém, em que a vítima de abuso resolve abandonar tudo, entregar-se à depressão e até tirar a própria vida.

O tipo mais comum de abuso é o financeiro, quando o líder utiliza a Bíblia para se autofavorecer. Muitas pessoas que são abençoadas pelo pastor querem retribuir com presentes. É natural. O problema é quando isso passa dos limites e quando o líder passa a se ver como merecedor desses agrados e começa até a pedi-los.

Os assédios emocional e espiritual são mais sutis. O pastor humilha o fiel diante da congregação, tratando-o como um rebelde, um insubmisso, apenas porque ele ousou questionar um pensamento.

Todo tipo de abuso espiritual é oriundo de três fontes: a necessidade de poder, a necessidade de fama e a necessidade de dinheiro. Não é em nome de Deus que isso acontece, mas em nome desses três deuses. Tais líderes procuram apresentar a instrução num formato baseado no terrorismo. Começam as imposições, que nada têm a ver com a Bíblia. Então, a pessoa que não possui fundamento doutrinário fica prisioneira ao que ouviu impositivamente.

Pessoas deixam de frequentar esse tipo de congregação. Saem de ministérios assim, por conta dos direcionamentos autoritários ou amedrontadores. As pessoas precisam de ajuda psicológica e serem acolhidas amorosamente para se sentirem livres. Afinal de contas, Jesus nos diz que, se conhecermos a verdade, ela nos libertará. Tem que fazer um trabalho de acolhimento profundo, de companheirismo cristão.

A busca por fama, dinheiro e poder não é exclusiva das lideranças de hoje. A Bíblia está repleta de exemplos de autoridades religiosas, até porta-vozes de Deus, que sucumbiram a esse desejo. Um episódio se passa no Evangelho de Mateus (20:20-21), quando a mãe dos discípulos Tiago e João pede a Jesus que, com a chegada do Reino, seus dois filhos pudessem “se assentar” um à esquerda e outro à direita, numa tentativa de ter autoridade sobre os outros.

No entanto, Jesus foi rápido para ensinar que o modelo, no Reino de Deus, não era esse: “Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”, afirmou Jesus (Mateus 20:24-28).

O apóstolo Pedro também deu uma orientação semelhante, em sua primeira epístola: “Apelo aos presbíteros que há entre vocês (…)  pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir. Não ajam como dominadores dos que lhe foram confiados, mas como exemplo para o rebanho” (1 Pe 5:1-3).

Há uma forma de escapar da tentação da dominação. Quando a pessoa é chamada para o ministério, não está vacinada contra todas essas tentações. Tem que pautar a vida na total dependência do Espírito Santo. O líder de uma igreja deve ter vida devocional.

O grande desafio do líder é fazer com que as pessoas aprendam a se relacionar com Deus, a depender de Deus e não entregar suas decisões à liderança. Hoje, infelizmente, vivemos na geração fast-food, que quer tudo rápido, fácil e pronto. Ninguém quer ter esforço, e relação com Deus demanda esforço. É mais fácil ir atrás de um guru e se sujeitar à manipulação. O que tem de ser combatido é a idolatria a líderes, pastores, apóstolos e afins.

É necessário buscar ambientes saudáveis, com uma teologia contextualizada, que faça uma leitura do mundo baseada na graça, no amor, no perdão, olhando sempre para Jesus. Combater a idolatria ao líder a todo custo. Pastores são seres humanos, falíveis, fracos, e precisam ser tratados como tal.

Hoje, talvez neste momento, há muitos que se encontrem debaixo desse jugo do abuso espiritual. Reconhecer essa condição é o primeiro passo para os que buscam se livrar desse tipo de relacionamento. Decidir se libertar e perdoar os abusadores pode ser um processo difícil e demorado, mas é ele que conduz à liberdade que Cristo conquistou na cruz para cada um de nós.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Tosquiadores de Ovelhas


Toda ovelha chega a uma época que a sua lã cresce; e cresce muito. O crescimento da sua lã acaba por lhe trazer alguns problemas que precisam ser tratados: fica pesada demais e tem dificuldade de se movimentar e fica vulnerável aos carrapichos e outras pragas da vegetação.

Sabendo disso, o seu pastor prepara-se para um momento muito importante. Importante para a ovelha e importante também para ele, pois a lã que será tirada da ovelha lhe servirá de sustento nos próximos meses; todavia esta tosa tem que ser feita com responsabilidade para que não venha prejudicar as ovelhas. Muitos criadores de ovelhas fazem isto pessoalmente, mas outros, por não terem experiência no assunto ou não terem tempo para o fazerem, acabam contratando tosquiadores profissionais para fazerem o serviço. Todavia a pessoa que irá tosquiar as ovelhas precisa ter no mínimo "consciência", para que possa fazer a tosquia com "responsabilidade", de uma maneira que venha beneficiar o pastor das ovelhas, mas sem prejudica-las. A lã não pode ser retirada toda! É necessário que o tosquiador deixe um pouco de lã para a ovelha, pois as condições climáticas não é ele quem determina; e, se nos próximos dias o tempo mudar e fizer frio, a ovelha tem que ter um pouco de lã para se aquecer e não morrer de frio.

O problema é que normalmente o tosquiador contratado ganho por quilo de lã tirada; ou seja, o salário é combinado em cima de uma porcentagem do que é tirado e desta maneira quanto mais ele tira, mais ele ganha. Assim, muitos tosquiadores que não entendem nada de tosquia e que são gananciosos demais estão prejudicando o rebanho, pois tiram toda a lã da ovelha, não dando chance para ela se defender de uma possível noite fria. Tais homens só pensam no seu lucro. Em quanto irão levar no final do seu dia. Não estão preocupados com o bem estar das ovelhas, pois estas não são suas mesmo, não estão nem aí para o rebanho e com esta filosofia de trabalho (se é que podemos chamar isso de trabalho), acabam judiando das ovelhas; pois além de tirarem toda a lã parecem que querem tirar até o coro (a pele), e o resultado disto é que no final de uma tosquia muitas ovelhas às vezes saem machucadas. O que estamos vendo hoje em dia nos púlpitos de algumas igrejas é de causar preocupação!

Tosquiadores profissionais que não sabem nada de tosquia, tirando toda a lã das ovelhas, fazendo votos assustadores e dizendo que Deus quer o teu "TUDO". Tais homens pedem tudo mesmo, a tua casa que você conquistou com tanto trabalho, o teu carro, todo o teu salário, todas as tuas economias, eles dizem: Quem tem fé para entregar o seu TUDO!

Contratados por pastores irresponsáveis, estes tosquiadores tiram até a última moeda das pessoas, não se preocupando em deixar pelo menos o dinheiro da condução para elas voltarem para casa; não entendendo que assim como as condições climáticas não é o homem quem determina, assim também as condições de vida de cada pessoa não são determinadas por nós e sim por Deus; e, nós como pastores, devemos fazer a tosa das ovelhas, porque isto é bom para elas e também para nós, mas fazer com temor e tremor diante de Deus preocupando-nos em não tirar o coro delas e não machuca-las e entendendo que amanhã poderá vir uma noite fria (dias difíceis) na vida destas pessoas e que elas precisam ter alguma lã (dinheiro) para se aquecerem. 

Caro amigo PASTOR, não entregue o seu rebanho nas mãos destes tosquiadores que se acham profissionais, mas que não sabem nada de tosquia.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

A Mãe do Meu Salvador!

“Naqueles dias levantou-se Maria, foi apressadamente à região montanhosa, a uma cidade de Judá, entrou em casa de Zacarias e saudou a Isabel. Ao ouvir Isabel a saudação de Maria, saltou a criancinha no seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo, e exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre! E donde me provém isto, que venha visitar-me a mãe do meu Senhor? Pois logo que me soou aos ouvidos a voz da tua saudação, a criancinha saltou de alegria dentro de mim. Bem-aventurada aquela que creu que se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor lhe foram ditas. Lc.1,41-45

O evangelista Mateus cita cinco mulheres na genealogia de Jesus (Mt 1.1-17). São elas: Tamar, mãe de Farés (v. 3); Raabe, de quem nasceu Boaz (v. 5a);Rute, mãe de Obede (v. 5b); Bate-Seba, cujo filho foi Salomão (v. 6b), e, por fim, Maria, a mãe do meu Salvador (v. 16).

É interessante verificar o significado do seu nome. Até porque, entre os antigos hebreus, a escolha do nome encerra um fato na história pessoal, ou uma promessa. Assim, Moisés não teve seu nome colocado aleatoriamente. Seu nome tem sentido. O maravilhoso da história é que tanto tem sentido para o egípcio quanto para o hebraico. Na língua egípcia, a raiz ms significa “filho” (cf. Ramsés = “filho de Ra”; Tutmoses = “filho de Tut”); no hebraico, é “retirado”, no caso, “tirado das águas” segundo o texto bíblico (Ex 2.10). Jesus, que significa“salvação do Senhor” (Mt. 1.21). Sabiam que Esdras é “socorro, auxílio, ajuda”,Davi é “amado” e Salomão é “pacífico”? Tinha idéia de que os nomes das noras de Noeme (cf. Livro de Rute) são, igualmente, muito significativos? A que voltou para Sodoma, Orfa, era “desleal”; Rute quer dizer “companheira”.

O significado do nome Maria (também grafado Mariam e Miriam) é discutível:
- Há quem identifique duas raízes: uma egípcia e outra hebraica. A egípcia é MYR, ou seja, “amada”; a hebraica, YA(M) do nome “Senhor”. Seu nome seria, então, “amada do Senhor”. ? Há quem veja uma raiz descoberta em Ugarite (atual Ras Shamra), na região costeira da Síria: MRYM significa “altura”, ou, ainda, “exaltada, excelsa, sublime”. A propósito, em hebraico existe a palavramarom, que quer dizer, “elevação, importante, alto escalão e excelência”. A partir desta suposição, seu nome seria “A Exaltada”.

- Outra idéia vem a partir do nome Maryam (Maria) que apresenta duas raízes:mar = “amargo” (cf Rt 1.20: “Não me chameis Noêmi; chamai-me Mara, porque o Todo-Poderoso me encheu de amargura”), e yam = “mar”. Daí que Maryam significaria “mar de amargura”, fazendo alusão ao seu sofrimento como mãe à luz da Paixão, do padecimento de seu Filho.

- Uma quarta idéia vê a raiz Miry’ com o significado de “gorda”. Que tem“gorda” com Maria? Muita coisa: para os árabes, ainda hoje, a mulher bonita é a gordinha, cheinha de carne, pois passa a idéia de que é bem tratada, bem cuidada pelo marido ou pelo pai. O padrão de beleza não é o da mulher enxuta, esbelta, corpo de modelo a modo ocidental. Como ser gorda para os semitas é ser bela, então, “Maria, a que é bela”.

Continuamos sem muita certeza do significado do seu nome, mas uma importante coisa sabemos: é que há textos no Antigo Testamento que falam profeticamente desta extraordinária mulher, serva do Deus Vivo, irmã nossa na fé em Jesus Cristo, e mãe do prometido Messias, mãe do meu Salvador. É o caso de Gênesis 3.15, “Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”; Isaías 7.14, “Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel” (texto repetido em Mateus 1.23), e Miquéias 5.2,3, “Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena para estar entre os milhares de Judá, de ti é que me sairá aquele que há de reinar em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade. Portanto os entregará até o tempo em que a que esta de parto tiver dado à luz; então o resto de seus irmãos voltará aos filhos de Israel”.

Mãe de Jesus – Homem (1TM 2.5; GL 4.4)
Sob a inspiração do Espírito Santo, Isabel deu a Maria uma tríplice bênção. O texto encontra-se em Lucas 1.42,45: “Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre!... Bem-aventurada aquela que creu que se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor lhe foram ditas.” Por sua destacada, proeminente, saliente posição entre as demais mulheres, ela seria sempre lembrada. E sem dúvida alguma, Maria é a mulher mais lembrada do mundo em todas as épocas. Basta lembrar que na Outra Igreja há toda uma devoção Mariana, ou seja, em torno desta extraordinária mulher, a mãe do meu Salvador (v.42a); por vir a ser a mãe do Messias de Israel, do Salvador (v. 42b) e por sua fé nas promessas de Deus que nela seriam cumpridas(v. 45).

No entanto, a Bíblia não referenda, não homologa, não aceita, não dá o seu aval a algumas idéias correntes na teologia oficial da Igreja majoritária, nem da teologia popular (estas observações não visam a atacar a doutrina de outros grupos religiosos, mas servem de referência ao que se diz e o que se cultua no nome deMaria):

A expressão de Isabel no verso 43, “...mãe do meu Senhor”, não autoriza a que seja chamada “mãe de Deus”, “mãe da Igreja”, “mãe da vida nova”, “mãe da América Latina” ou “Maria Santíssima”, ou seja, “mais-santa-que-todos-os-demais-santos-de-Deus”. São expressões que não encontram guarida na Escritura Sagrada, 
É agraciada (“cheia de graça”), no entanto, a graça em Maria não é qualidade particular dela, mas foi-lhe dada pelo Deus da graça. 
É “cheia de graça”, mas não “co-redentora”, título, aliás, associado ao tema da“nova Eva”: já que Jesus é o “novo Adão” de uma nova humanidade (cf. Rm 5.14,17; 1Co 15.21,22,45), ela seria a “nova Eva” dessa nova criação, um antítipo de nossa primeira mãe. 
Maria é a mãe de Jesus, o Messias, é a mãe de Jesus Cristo, é a mãe do homem Jesus, é a mãe do Filho de Deus, mas não de Jesus-Deus. Pelo contrário, Jesus rechaçou, com rapidez e veemência, o que poderia ser o início do culto prestado a Maria. Como diz a tradução do Pontifício Instituto Bíblico “Enquanto ele assim falava, uma mulher, erguendo a voz do meio da multidão, disse-lhe: ‘Ditoso o seio que te trouxe e os peitos a que foste amamentado!’ Ele, porém, disse: ‘Ditosos antes os que ouvem a palavra de Deus, e a guardam’” (Lc 11.27,28). Não permitiu que essa devoção fosse adiante.

Paradigmas
A mãe cristã tem padrões pelos quais se pautar: O Deus Vivo e Verdadeiro, o Eterno, que diz, “Sereis santos, porque eu sou santo” (1Pe 1.16; cf. Lv 11.44; 19.2; 20.7). Sim, Ele diz às mães cristãs, “Cultivareis a santidade em vossos lares, porque Eu sou santo”.Diz também “Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial” (Mt 5.48; cf. Tg 1.3,4; Ef 5.1).

Jesus Cristo. Este é o próximo paradigma, pois “Cristo em vós, a esperança da glória; o qual nós anunciamos, admoestando a todo homem, e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, para que apresentemos todo homem perfeito em Cristo” (Cl 1.27b, 28; cf. Rm 8.29).

As santas mulheres da Antiga Aliança. Esta é uma expressão rigorosamente bíblica (cf. 1Pe 3.5). Quem são elas? Sara, mãe de Isaque, matriarca do povo de Israel, que esperou sempre e sempre na fidelidade do Deus das promessas (Hb 11.11), e debaixo da mesma missão do seu marido (1Pe 3.6). É possível que a irmã venha lutando durante tantos anos com um filho rebelde, fora do evangelho, com o marido pródigo que abandonou a casa e precisa retornar. Não esmoreça, minha irmã! Olhe para Sara que esperou, e esperou e esperou até que veio o cumprimento da promessa. Joquebede, mãe de Moisés, previdente e providente. Podia ter perdido seu filho na matança dos meninos promovida pelo faraó conforme relata Êxodo 1.15ss. Com um tremendo senso de oportunidade, preservou a vida do seu filho. Escondeu-o, soltou-o no rio, e o viu ser levado ao palácio real, onde foi criado como neto do próprio faraó. Que coisa absurda para o pensamento humano! (Ex 2.1-4). Ana, mãe de Samuel, a qual, tendo o Senhor ouvido sua oração (1Sm 1.9-11), consagrou o filho e o entregou a Deus. (1Sm 1.21ss). Foi considerada uma mulher embriagada, quando estava orando pelo filho que tanto desejava.

As santas mulheres do Novo Testamento, como Eunice e Lóide, mãe e avó de Timóteo, portadoras de uma “fé não fingida” (2Tm 1.5). Maria, a mãe deJesus, paradigma da mãe cristã por uma série de razões.

Aqui temos Maria, nossa irmã na fé, esposa e mãe. Sim, nossa irmã na fé, pois não afirmou em Lucas 1.47, “o meu espírito exulta em Deus meu Salvador”? Nosso comum Salvador? Maria, a esposa: por que a insistência em querer ver em José um homem idoso casado com uma jovem de 14 ou 15 anos? Essa a idade aproximada de casamento das jovens no Oriente. Ou, colocando de outro modo, que desonra haveria em, após o nascimento de seu primogênito, Jesus, como diz o Novo Testamento (Lc 2.7) ter assumido suas normalíssimas funções de esposa e de mãe de outros filhos, como também se refere o Novo Testamento (Mt 1.25; 12.47; Jo 7.5). Querem ensinar que os irmãos de Jesus são seus primos. Esquecem-se ou não sabem que há na língua grega três palavras que não podem ser confundidas uma é adelfós (irmão), outras são anepsiós (sobrinho) e xederfos (primo). A palavra utilizada no texto do Evangelho é adelfós, irmão de sangue.Maria como mãe. A Escritura Sagrada faz referência à unção do Espírito Santo sobre homens desde o ventre materno, como Sansão (Jz 13.5), Jeremias (1.5), o Servo Sofredor (Is 49.1), João Batista (Lc 1.15), Paulo (Gl 1.15). Mas Lucas ensina que no caso de Jesus foi além, muito além da unção: foi a Sua própria geração. Jesus não era um homem ungido pelo Espírito Santo como ocorreu com os outros. Foi, porém, a própria geração do Espírito. O Espírito Santo não repousou sobre o ventre de Maria, mas sobre ela mesma, sobre a filha de Sião, amãe do meu Salvador. Assim, foi ela mesma alvo dessa graça, da sombra do Espírito sobre si:


“Canta alegremente, ó filha de Sião; rejubila, ó Israel; regozija-te, e exulta de todo o coração, ó filha de Jerusalém. O Senhor afastou os juízos que havia contra ti, lançou fora o teu inimigo; o Rei de Israel, o Senhor, está no meio de ti; não temerás daqui em diante mal algum. Naquele dia se dirá a Jerusalém: Não temas, ó Sião; não se enfraqueçam as tuas mãos. O Senhor teu Deus está no meio de ti, poderoso para te salvar; ele se deleitará em ti com alegria; renovar-te-á no seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo” (Sf 3.14-17).

Então, fica a lição: a plenitude da graça não vem dela mesma, mas da presença do Espírito Santo em sua vida.


A MÃE DO MEU SALVADOR
Quais as destacadas qualidades de Maria?

Mulher de Louvor
Guardo com muito carinho a lembrança de, quando criança, garotinho, ouvir a minha mãe cantando. Ela sempre gostou de cantar: no coro, em duetos ou em casa nas lides domésticas. São memórias que não se apagam. Não é para menos no caso de Maria que fosse uma mulher de louvor: pertencia à tribo de Judá, palavra que quer dizer “louvor” (cf. Lc 2.3-5). Sua sensibilidade poética fê-la cantar o lindíssimo e inspiradíssimo cântico conhecido como o Magnificat, o“Cântico de Maria” (Lc 1. 46-55), e que tem sido denominado de “O Evangelho de Maria”, por representar um resumo da história da salvação. A propósito, o Magnificat fala mais do que qualquer outra coisa, do caráter da mãe de Jesus, e de sua capacidade espiritual para seu destino de mulher agraciada. É, outrossim, exemplo de como a alguém fundamentado, enraizado nas Sagradas Escrituras são dados olhos e lábios para contar e cantar o que Deus fez, faz, e continuará fazendo na sua vida como indivíduo e na de seu povo. Só porque o Senhor poderoso tem feito coisas poderosas é que há boas novas para serem narradas, e um evangelho a ser proclamado. Foram contadas doze passagens do Antigo Testamento, sendo que, basicamente, é o “Cântico de Ana” o seu modelo. Isso reflete profunda piedade e conhecimento das Escrituras, qualidade adequadíssima à mãe do meu Salvador.

Mulher Piedosa
Aceita sem reservas a missão de conceber e dar à luz do Filho do Altíssimo, o Filho de El Elyon (cf. Lc 1.31,32,38). E, ainda, expressou essa alegria messiânica do ponto de vista de quem recebeu um imerecido favor. Aliás, isso é chamado pelos teólogos de graça, o favor que não merecemos mas recebemos da parte deDeus, palavra que se encontra nos lábios do mensageiro de Deus (Lc. 1.28,30). De profundíssima piedade, segue fielmente todos os atos de sua fé: a apresentação e a b’rit milah (circuncisão) de seu filho ao oitavo dia (cf. Lc 2.21-24); a aliah (peregrinação) a Jerusalém todos os anos durante a festa do Pessach (Páscoa) para que Jesus pudesse passar pela cerimônia de ser um bar miztvah, a profissão de fé judaica (Lc 2.41).

Mulher de Oração
Atos 1.14 relata que “Todos estes [os apóstolos] perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele”. Precisava ela de energia espiritual, razão porque perseverava com os irmãos deJesus, com as outras mulheres (Maria Madalena, Joana, Maria, mãe de Tiago e outras) e com os apóstolos em intensa e fervente oração.

Que extraordinário ministério das mães (e avós) é o da oração. A propósito, já fez a oração de entrega de seu filho a Deus? Quer um precedente bíblico? 1Samuel 1.27, 28: “Por este menino orava eu, e o Senhor atendeu a petição que eu lhe fiz. Por isso eu também o entreguei ao Senhor; por todos os dias que viver, ao Senhor está entregue. E adoraram ali ao Senhor.” Tem orado pelo filho rebelde? Veja a promessa de Jó 22.30: “E livrará até o que não é inocente, que será libertado pela pureza de tuas mãos.” Quantos filhos rebeldes, revoltados, têm retornado aos caminhos do Senhor pro causa da pureza das mãos e da oração de suas mães! Por um jovem chamado Franklin, orava a esposa do Pr. Billy Graham. Ele estava entregue aos maus caminhos. A mãe orava e orava. Ocorreu que ele abandonou a vida que levava, voltou para Cristo, para a igreja. Hoje é o Pr. Franklin Graham, que ficou no lugar do seu pai na direção da grande Associação Evangelística Mundial Billy Graham. Mônica, piedosa cristã da Igreja Antiga, orou intensamente pelo filho, que era um filósofo. Era também extremamente entregue à vida mundana. Um dia, Deus colocou diante dele a Carta aos Romanos. Ele a leu e se converteu. Estou falando de Agostinho, teólogo da Igreja Antiga e pastor na cidade de Hipona, no norte da África, conhecido como Santo Agostinho. Escreveu As Confissões, Da Verdadeira Religião, A Cidade de Deus, Da Trindade, Da Mentira. Lendo as suas confissões, é possível entender o que ele experimentou na vida, e como teve uma sede tão intensa de Deus que não pode deixar de mencioná-Lo em praticamente cada página dessa obra.

Tem orado por seu filho que anda com fidelidade nas avenidas da fé, o filho consagrado? É preciso olhar para o filho que nunca se afastou do evangelho. Sempre fiel, firme, constante e abundante na obra do Senhor. Se ora pelo filho rebelde, ore e agradeça a Deus pelo filho que nunca lhe deu trabalho. Afinal, “desde o dia em que ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual; para que possais andar de maneira digna do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus” (Cl 1.9b, 10).

Os quatro Evangelhos, como de resto todo o Novo Testamento, são extremamente lacônicos sobre Maria, a mãe do meu Salvador. Esse fato deixa claro que ressaltado deve ser apenas o Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo. Mariafoi o canal pelo qual o Filho de Deus veio ao mundo, veio estar entre nós, oDeus-em-nosso-meio o Emanuel. Somente ao Seu Nome deve se dobrar “todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai" (Fp 2.10, 11).


Múcio Teixeira escreveu um inspirado poema onde diz
Ó mães! Da mãe de Cristo despertais lembranças,
Nessa augusta missão tão cheia de poesia;
Quando embalais ao colo as tímidas crianças,
Eu penso ver Jesus nos braços de Maria.

Vós sois uns anjos bons de amor e de piedade!
Tendes um ninho em flor nos seios virtuosos;
Nos filhos refletis vossa felicidade,
Como um límpido espelho os corpos luminosos.

Vós sois a inspiração primeira dos poetas;
Vós sois o pensamento extremo dos doentes...
Quem antes osculou a fronte dos profetas,
Vindo a cerrar, mais tarde, os olhos dos videntes,
Ó mães! Da minha mãe vós me trazeis lembranças...
Encheis-me de saudade! Eu amo-vos por isto...
Quando embalais, cantando, aos seios, as crianças,
Eu sonho, ver Maria, acalentando o Cristo!

Pr. Walter Santos Baptista

terça-feira, 24 de abril de 2018

Aprendendo com Judas iscariotes


É fácil julgar Judas como um vilão ou vítima, mas eu fico impressionado com o fato de que, de várias formas, ele é exatamente como eu.
Judas era um seguidor de Jesus e um pregador do evangelho, mas existia uma mente dividida nele. No final, ele abandonou a fé que antes professava.
Aqui estão quatro coisas que facilmente passam desapercebidas na história de Judas.


1. O comprometimento dele
Judas teve comprometimento com Jesus, e não havia nenhuma razão para se pensar nada além de que ele era sincero na sua fé. Assim como os outros discípulos, ele deixou tudo para seguir nosso Senhor. Judas estava ativamente envolvido com o ministério, e foram dados dons espirituais memoráveis a ele. Lucas nos conta que Jesus chamou “os doze” juntos – isso incluía Judas – e “deu-lhes poder e autoridade para expulsar todos os demônios e curar doenças, e os enviou a pregar o Reino de Deus e a curar os enfermos.” (Lucas 9:1,2)
Judas Iscariotes era um pregador do evangelho! Ele tinha recebido o dom de curar, e ele exerceu autoridade sobre demônios. Envolvimento ativo no ministério é algo bom e maravilhoso; mas não é, em si mesma, garantia de saúde ou vida espiritual.

2. A oportunidade que foi dada a ele
Judas andou com Jesus por três anos. Ele viu de perto e pessoalmente a maior vida já vivida. Você não pode ter exemplo de fé melhor do que Jesus ou melhor ambiente para formação de fé do que Judas teve andando com o Salvador.
Ele testemunhou os milagres diretamente. Quando Jesus alimentou os 5.000, Judas estava lá. Ele tomou do pão e distribuiu junto com os outros discípulos. Quando Jesus acalmou a tempestade, Judas estava lá. E ele estava lá quando Jesus ressuscitou Lázaro de dentro os mortos. Você não pode ter evidência melhor para fé do que Judas teve.
Judas ouviu todos os ensinamentos de Jesus também. Ele ouviu o Sermão no Monte, então ele sabia que existe um caminho estrito que leva à vida e um caminho largo que leva à destruição. Ele ouviu os avisos que Jesus deu aos fariseus, então ele sabia que existe um inferno para evitar e um céu para ganhar. Ele ouviu a parábola do filho pródigo, então ele sabia que Deus está pronto para dar as boas-vindas e perdoar aqueles que se desperdiçaram em muitos pecados.

Com os próprios olhos, Judas viu a evidência mais clara. Com os próprios ouvidos, ele ouviu o melhor ensinamento. Com os próprios pés, ele seguiu o maior dos exemplos. E mesmo assim, este homem ainda traiu Jesus.
O coração humano está além do entendimento (Jr. 17:9), e há algo incompreensível sobre uma pessoa que abandona a fé que ela antes professava ter. É difícil entender como um jovem criado por pais piedosos no contexto de uma igreja saudável, ensinado sobre as verdades da Escritura desde criança e fundamentado em apologética possa desistir de Jesus.
A história de Judas contém uma lição importante para os pais, líderes, e amigos que lamentam por alguém amado que abandonou a fé. Eles se preocupam:
Onde foi que eu errei? O que mais eu poderia fazer? Nós falhamos no nosso ensino?  Nós falhamos no nosso exemplo? Nós deveríamos ter mergulhado nosso filho ou filha ou amigo em um ambiente diferente?
Mas Judas nos ensina que nem mesmo o melhor exemplo, a evidência mais convincente, e os melhores ensinamentos – o melhor ambiente para a incubação da fé – não podem, em si e por si mesmos, mudar o coração humano.

3. A escolha que ele fez
Satanás fez um ataque implacável à alma de Judas, assim como ele faz um ataque implacável a todos os que escolhem seguir a Cristo. Nós lemos sobre o ataque de Satanás em Judas:
Então Satanás entrou em Judas, chamado Iscariotes. (Lucas 22:3)
O diabo já havia induzido Judas Iscariotes, filho de Simão, a trair Jesus. (João 13:2). Satanás entrou nele. (João 13:27)
As claras declarações da Bíblia sobre a atividade de Satanás têm levado alguns a dizer “Bem, pobre Judas, ele não teve nenhuma chance. Satanás entrou nele. O que ele poderia fazer a respeito disso?” Mas essa afirmação desconsidera o fato de que Judas abriu o coração para Satanás.
Judas estava roubando da bolsa de dinheiro coletado, e quando ele manteve esse pecado em segredo, Satanás entrou nele. Ele fez um acordo com os chefes dos sacerdotes e então sentou à mesa do nosso Senhor com pecados conhecidos que ele não confessaria, e satanás entrou ainda mais fundo em sua vida. Pecados não confessados abrem a porta para o poder de Satanás.
Satanás não ganha nenhuma base na vida das pessoas que estão andando na luz com Jesus. Ele só ganha acesso quando a porta está aberta.
É a majestade única de Jesus que permite ele conquistar o homem sem que o homem se aproxime dele primeiro. Mas a fragilidade de Satanás é provada por isso, ele não pode se aproximar de uma alma, a não ser que essa alma se volte para ele primeiro.

Às vezes nós pensamos da maneira errada, temendo que Satanás vai, de alguma forma, ter acesso secreto aos filhos de Deus, enquanto duvidamos que Jesus possa fazer algo por uma pessoa, a não ser que ela abra a porta. Mas a Bíblia ensina exatamente o contrário.

4. O resultado que ele alcançou
Judas se afundou na escuridão que ele escolheu. Quando você se aproxima de Jesus, uma das duas coisas vai acontecer: ou você se tornará completamente dele, ou vai acabar mais afastado dele.
Entre aqueles que mais odeiam a Cristo, alguns já professaram acreditar nele antes. Suas alegações são tão exclusivas, e suas exigências tão persuasivas que, no final, você deve se entregar completamente a ele ou desistir dele por completo. Não há meio termo.
Apenas aqueles que nunca o conheceram que podem permanecer indiferentes a ele. Para aqueles que se aproximaram, os únicos resultados são devoção total ou eventual antagonismo; e todo dia, cada um de nós está indo em uma direção ou na outra.
Em um tempo em que muitos estão abandonando a fé que um dia professaram, a história de Judas nos alerta a guardar nosso coração, para não nos afastarmos. A história de Judas também nos equipa para alcançar aqueles que podem estar perto de fugir da fé. Cristo nos chama para termos “compaixão daqueles que duvidam e salvar outros, arrebatando-os do fogo” (Judas 1:22,23). E por fim, a história de Judas nos lembra que nada de bom pode vir de desistir de Jesus Cristo. Ele é de valor supremo, e segui-lo vale qualquer custo.

Colin Smith (London School of Theology) é pastor sênior da The Orchard Evangelical Free Church em Arlington Heights, Illinois, e membro do conselho do The Gospel Coalition.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

A Vida e o Sangue


Os antigos pensavam que a vida estava no sangue e Israel participava da mesma opinião, por isso tinha três prescrições acerca do sangue (Gn 9,4 e Dt 12,23)         
1ª) é proibido comer o sangue ou a carne com sangue;
2ª) é proibido derramar o sangue de outra pessoa;
3ª) é proibido oferecer sangue em sacrifício aos deuses.

Mas como os antigos chegaram a essa concepção de que a vida estava no sangue? Os passos para se chegar a esta concepção foram os seguintes:

§  Os antigos tinham uma medicina elementar.
§  Mas eles notaram que o bebê só pode ser considerado vivo depois que inspira (e chora).
§  Observaram também que uma pessoa só poderia ser considerada morta depois que expirasse (e não mais inspirasse).
§  Deduziram que a alma estava na respiração. Então: a alma era o ar. E entrava na pessoa pelo nariz, quando esta nascia, e saia pelo nariz, quando esta morria.
§  Então eles se perguntaram: “Durante a vida onde fica a alma na pessoa? Ou seja, que parte do corpo é a sede da alma?”.
§  E veio uma nova observação da realidade: os soldados feridos em batalha sangravam.
§  O sangue, ao sair do corpo deles, borbulhava. Logo, o sangue continha ar.
§  Enquanto existia sangue no ferido ele permanecia vivo. Mas quando o sangue saía por completo, ele morria.
§   
Logo, a religiosidade chegou à seguinte conclusão:
A alma é o ar. Entra no corpo pelo nariz e vai para o sangue. Logo concluíram: a alma está no sangue. Daí a proibição de Dt.  O texto de Dt 12,23 diz o seguinte:

 “Somente empenha-te em não comeres o sangue, pois o sangue é a vida;
pelo que não comerás a vida juntamente com a carne

Mas que vida é esta? Em hebraico, vida é nephesh, significando também personalidade, individualidade, instinto ou emoção. A Septuaginta traduziu nephesh (vida) para o grego com a expressão psyché, que deu psique.
A vulgata traduziu psyché por anima. Então, em latim, ficou assim a tradução: “hoc solum cave ne sanguinem comedas sanguis enim eorum pro anima est et idcirco non debes animam comedere cum carnibus” ( Dt 12,23). Anima significa alma ou vida, ânimo, aquilo que anima. Logo, alguns entenderam que comer o sangue era comer a alma. Daí para a polêmica sobre a transfusão de sangue foi um pulo. Há quem condene a transfusão de sangue baseando-se no texto de Dt 12,23, argumentando, segundo a tradução da vulgata, que o sangue é a alma, e, assim sendo, quem está doando sangue está doando a alma para outrem e quem está recebendo a doação está, evidentemente também, recebendo a vida do outro. Entendem, pois, que a transfusão de sangue é o mesmo que comer o sangue.

Compreensão equivocada, certamente, que necessita de correção. A alma não está no sangue, nem em nenhuma outra parte localizável do corpo. A alma é a pessoa, sua identidade, seu modo de ser, o conjunto de características natas e adquiridas que fazem a gente ser quem é diante de si, dos outros e de Deus. Não é porque doamos sangue para alguém que tiramos um pedaço da alma. Muito menos, ao receber uma doação de sangue, recebemos a alma do doador. Recebemos sim sua generosidade, sua gratuidade em partilhar a vida e isso diz algo sobre ela, mas sua alma não vem no sangue recebido.

Que fique bem claro: na bíblia, não há nenhuma proibição quanto à transfusão de sangue. Naquele tempo, ninguém pensava sobre a possibilidade de doar sangue para outrem. Há na Bíblia uma proibição de comer sangue, o que é compreensível para aquele tempo, conforme vimos acima. Tal proibição vem de uma compreensão equivocada acerca do sopro de vida que habita em nós. Sobre a transfusão de sangue é bom dizer uma palavrinha. Para quem precisa receber sangue, nada de escrúpulos ou culpa. É só um procedimento médico como qualquer outro. Para quem doa sangue é bom lembrar: não há maior amor do que dar a vida pelo outro. Doar sangue é sinal de amor e desprendimento. Podendo ajudar, por que não fazê-lo?

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